Fruto da colaboração da artista e ativista Claudia Andujar com o povo Yanomami, o trabalho fotográfico aqui apresentado integra um movimento de resistência e luta, em cooperação com lideranças Yanomami pelo respeito pelo modo de vida do seu povo. A instalação divide-se em dois momentos. No começo dos anos 1970 a artista fotografou na porção brasileira do território Yanomami, tentando traduzir a beleza e complexidade da vida na floresta e da espiritualidade xamânica, até ser expulsa da região pelo governo brasileiro por denunciar a violência contra o povo Yanomami decorrente dos programas promovidos pela ditadura militar (1964-1985). Nos anos 1980 refotografou o seu arquivo para protestar contra a demarcação fragmentada da Terra Indígena Yanomami, sendo a demarcação contínua apenas homologada pelo governo em 1992. A exposição serve também de plataforma para que o povo Yanomami seja visto e ouvido fora do seu território, num momento em que a violência contra os povos indígenas e a crise climática global ameaçam as suas vidas.
Apoio: Instituto Moreira Salles e Hutukara Associação Yanomami