Com as Imagens Bonitas do que Desapareceu sublinha a urgência da presença, do sentido de comunidade e da pertença com a natureza. A partir de um laboratório colaborativo em co-criação com a artista Paula Preto, um grupo jovens do Centro Social Paroquial Nossa Senhora da Ajuda resgatam o brincar, a curiosidade e a imaginação como forças coletivas para pensar a mudança e a transição para um futuro sustentável.
Este trabalho foi desenvolvido durante o ano 2024, no âmbito do Clima Emocional, um projecto de criação e educação a partir da linguagem fotográfica com foco na ecologia dos sentimentos e das emoções, que integra o programa de mediação de públicos da Bienal'25 Fotografia do Porto.
Oficinas de fotografia
No âmbito do projecto de mediação de públicos da Bienal'25, Clima Emocional, a fotógrafa e arte educadora Paula Preto dinamizou 15 oficinas de fotografia com jovens do Centro Social da Paróquia da Nossa Senhora da Ajuda. Nas primeiras oficinas o foco recaiu sobre a experimentação com a câmara fotográfica e as suas potencialidades, o pensamento criativo e o treino do olhar e da observação.
Numa dinâmica horizontal, o plano de atividades e espaços a explorar durante as oficinas incluiu preferências e sugestões dos participantes. Surgiram, por isso, alguns lugares mais frequentes: a praia, o Centro Social e o Parque da Pasteleira.
Tema do projecto fotográfico
A partir de uma dinâmica de escuta ativa das inquietações e perspectivas deste grupo, Paula Preto desenvolveu o tema do seu projecto fotográfico “Com as Imagens Bonitas do que Desapareceu”. Um tema que reflecte não só as mudanças no mundo interno destes jovens (fase de transição da infância para adolescência, de mudança de escola e consequentes alterações nas dinâmicas sociais e familiares); mas também no mundo externo, dado que muitos dos elementos naturais fotografados no Parque da Pasteleira durante as oficinas deixaram de existir. Surge, por isso, uma urgência em agir no momento presente.
Definido o tema do trabalho, o foco das oficinas recaiu sobre o treino de capacidade de seleção/ olhar crítico perante o trabalho desenvolvido; da capacidade de associação de sentimentos e emoções a fotografias; do potencial narrativo de uma imagem; a exploração do pensamento abstracto; e, ainda, a reflexão sobre a relação que estabelecemos com o lugar que habitamos. Através da colocação de stickers pelo Bairro da Pasteleira e da vivência no Parque - pouco frequentado e negativamente conotado, os jovens foram desafiados a mudar o espaço que habitam e a sua percepção sobre ele. A artista procurou reforçar a ideia de que os jovens são elementos transformadores do espaço que os rodeia, com poder para intervir na comunidade.
Fase de criação
A última fase das oficinas de fotografia foi dedicada à encenação e ficção, mais focada na produção das imagens que viriam a integrar a exposição na Bienal'25 Fotografia do Porto. Os jovens foram desafiados a descrever elementos da sua infância que desaparecem com o crescimento e elementos que gostariam de levar consigo para a adolescência. A partir daí, propuseram várias ideias de possíveis fotografias e composições de imagens, encenando-as.
Ainda durante as oficinas, os jovens promoveram um workshop de cianotipia com os restantes jovens do Centro Social, numa dinâmica de partilha de conhecimento, alargando os efeitos do projecto.
Oficinas de culturas regenerativas
Além da componente artística, Clima Emocional propôs uma componente de desenvolvimento pessoal e de educação ambiental. Vanessa Aires facilitou 6 sessões de Culturas Regenerativas (2 em conjunto com as oficinas de fotografia), em que desafiou os jovens a olharem para o seu mundo interior e a sua relação com o mundo exterior. Nestas sessões foram exploradas emoções, vulnerabilidade, pensamento criativo e metafórico, conceitos de permacultura e de sustentabilidade.
Tendo como intenção prolongar os efeitos do projecto no tempo e alargar os seus impactos, foram ainda dinamizadas 7 sessões com os técnicos do Centro Social que acompanham os jovens, crianças e séniores da comunidade. Desta forma, puderam compreender o trabalho dinamizado no âmbito do projecto, incorporar princípios de permacultura na sua prática profissional e, consequentemente, no contexto comunitário e familiar do jovens e crianças com quem trabalham.